Depois de permanecer nas sombras por centenas de anos, o maior segredo de minha família conhece a luz.
Apresentados de uma geração a outra, relatos de heróis e lugares misteriosos chegaram até mim, marcando-me a infância. Com fascínio ouvi as proezas de guerreiros, parecidos com cavaleiros templários, engajados em batalhas heróicas como no tempo das cruzadas. Contudo, os detalhes precisos e os enredos envolventes sugeriam a possibilidade de que seriam registros ou revelações de algo que realmente aconteceu.
Fiquei curioso quando me foi explicado que a fonte dessas histórias encontrava-se numa caixa enigmática que, por muito tempo, acompanhara meus familiares.  As respostas para todas as minhas dúvidas estariam naquele objeto. Trabalhada num material desconhecido de coloração prateada envelhecida, com cento e vinte centímetros de comprimento por setenta de largura e cem centímetros de altura, a caixa trás as iniciais P.J. gravadas nos lados e uma misteriosa estrela de oito pontas na tampa.

De acordo com a tradição familiar ela teria sido fabricada há mais de 1.600 anos, na região conhecida como Taklamakan, na China, antes de chegar à Espanha, durante o reinado dos reis católicos Fernando e Isabela, pouco antes de 1500. Embora não exista nenhuma comprovação desses fatos nem de como chegou à América do Sul às mãos dos meus ancestrais, uma enorme especulação gira em torno da sua origem e dos entalhes minuciosamente trabalhados nela. Exemplo disso é que certa vez me foi sugerido por um historiador que as iniciais P.J., nas laterais da caixa, corresponderiam ao nome do mítico líder cristão do Oriente, Preste João, que reinou no imaginário do homem medieval.

Todo esse mistério motivou-me, já adulto, a analisar o conteúdo do antigo tesouro. Com a ajuda de uma equipe de especialistas iniciei o estudo dos pergaminhos amarelados e frágeis que a caixa guardava. Neles encontrei relatos em forma de contos, mapas e documentos de autores antigos, pertencentes a uma época não registrada na história, que fazem referencia a um mundo chamado de Terra Conhecida. Acredito que a estrela de oito pontas gravada na tampa da caixa seja a Estrela de Hemakiel que os documentos mencionam.
Os textos estão escritos em duas línguas. Uma delas é o espanhol arcaico:

“A ti lo gradesco, Dios que çielo e tierra guias;
Valan me tus vertudes, Glorioso Sancto Senhor mio...”

O segundo idioma, um verdadeiro enigma, traz vocábulos semelhantes ao latim e, às vezes, a palavras contemporâneas:

“...eti sayis lovitatu Maximus aRian puRifisai luminex fRenti TenesbRid...
Non sombRa Remanesci. Dai maianati Ist suoRdam fRista un infinitum
waia eti luxed ets eteRnis asimeRti Ist GloRinem...”

Porém, as descrições dos textos são insuficientes para nos certificarmos onde fora situada a Terra Conhecida ou que lugar realmente era aquele, onde batalhas santas, em nome de um único Deus verdadeiro, e grandes mistérios aconteceram.

De todo o acervo encontrado, o que mais me chamou a atenção foi um bloco de pergaminhos que, devido à sua extensão e rico conteúdo, está sendo adaptado à língua moderna para chegar ao público em três volumes.
Todos os outros documentos, contos e mapas, serão dados a conhecer neste site, à medida que forem traduzidos.

Assim, compartilho com vocês um antigo segredo, um tesouro da minha família, que hoje vem à luz depois de permanecer oculto por muito tempo.

CÉSAR COTILLO